terça-feira, 28 de abril de 2009

Instinto de goleador


O famoso repórter esportivo Edu Gramado ainda se encontrava na sala de imprensa do hotel, sentado ao computador, a escrever textos para seu programa de rádio do dia seguinte, quando viu o centroavante Joãozinho TNT entrar no saguão às quatro horas da manhã. O time de Joãozinho estava concentrado no hotel para o jogo do dia seguinte e Edu também se hospedou ali para ficar perto da notícia.

Foi ao encontro de Joãozinho TNT e perguntou de onde ele voltava àquela hora.
- Fui jantar com amigos – respondeu o goleador
- Jantar a essa hora?
- Ah, meu, por favor, quero subir e dormir
- João, vou noticiar isso amanhã em meu programa de rádio
- Rapaz, você vai me sacanear. E ainda mais amanhã que tenho jogo importante. Não faça isso. Vou ficar mal com a torcida, com os colegas, técnico, presidente do time e toda a imprensa. Não faça isso, por favor
- Tá bom João. Dessa vez vou deixar pra lá. Você é ídolo do time e não vou te atrapalhar – garantiu o repórter.

No dia seguinte, porém, Edu Gramado deu a notícia em seu programa das 10 horas da manhã e do modo mais pomposo possível.
- Ninguém me contou. Eu vi, com estes olhos que o gramado, digo, a terra irá comer. É uma vergonha um jogador profissional, bem pago, chegar a essa hora na concentração, após passar a noite na gandaia...

Depois, à tarde, se realizou a importante partida. Ainda atordoado com a notícia João TNT jogou mal, perdeu vários gols, até um pênalti e seu time foi derrotado. No dia seguinte, ele foi ao estúdio da rádio conversar com Edu.
- Você prometeu que não diria nada e mesmo assim me sacaneou. Estou cheio de problemas. Todo mundo no meu pé
- Desculpe João. Não resisti. O jornalista não pode guardar a notícia para si mesmo. Tem de passá-la adiante para seu leitor ou ouvinte.
- Você me deu sua palavra e...
- Desculpe, meu instinto de repórter foi mais forte. Vou te contar uma história para você entender minha posição. O escorpião pede carona à tartaruga para atravessar o rio. Com medo, ela pergunta se ele não vai picá-la durante a passagem. O escorpião garante que não, porque se fizer isso os dois morrem na água. Quando chegam à margem, no outro lado, o escorpião pica a tartaruga no pescoço, a parte mais delicada do bicho. “Por que fez isso. Você me prometeu”, choraminga a tartaruga. “Desculpe, amiga, é meu instinto natural”, responde o escorpião. Então Joãozinho, entendeu porque eu tive de divulgar a notícia? O centroavante pensou, pensou e desferiu um chute no saco do repórter.
- Que é isso João, gritou Edu, de dor
- E o instinto do jogador é chutar bolas

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Árvore da vida


Árvore da vida

Otávio Nunes

Encontrei a árvore cujos frutos alimentam a humanidade. Está velha, mas frondosa, verde e produtiva, como sempre. Sentei-me à sua sombra e lhe perguntei sobre o calvário de sua vida, ao fornecer comida para bilhões de bocas no mundo. Ela não reclama de ter de gerar ininterruptamente, segundo após segundo. Apenas me diz que seus frutos não são distribuídos igualitariamente. Há pessoas que se satisfazem com um ou dois, enquanto outros levam milhares. Chegam até mesmo a vender seus frutos a quem não consegue ter acesso a ela.

Existem aqueles que sobem e machucam seus galhos e outros que sacodem seus ramos para derrubar o fruto. Tem ainda alguns, mais apaixonados, que desenham ou escrevem na sua casca dura. Até rede querem instalar em seu caule. “Aí, já é demais”, diz-me ela. Outro fato que a constrange é o urinar de cachorros. “Eles me confundem com poste”, justifica.

Mas a pior situação por que ela passou até hoje foi quando apareceram dois sujeitos, um portando machado e outro, a motoserra. “Tremi por inteira, pensei ser o meu fim”, conta-me. No entanto, eram apenas dois atores que foram visitá-la para filmar a propaganda de uma organização ecológica. “Refeita do susto, dei-lhes uma cesta cheia de frutos.”

Certa feita, relata-me a árvore da vida, sua sombra serviu para uma conferência de paz entre os líderes de dois países em conflito pré-beligerante. “Nunca vi tanta indignação no semblante de alguém como nos daqueles dois.” No final, após muita conversa e olhares recíprocos de ódio, resolveram selar acordo de paz entre suas nações. Assim que se levantaram para ir embora, a árvore deixou cair dois frutos, um em cada cabeça. “Eles tinham de passar por algum castigo. Mas não se feriram, porque eram dois cabeças-duras, mesmo”, justifica a planta.

Depois de horas de conversa, despedi-me de nossa Grande Mãe, beijei seu tronco, guardei uma de suas folha como lembrança e peguei três frutos frescos e maduros. Quando me encontrava a duzentos metros dela, olhei para trás e vi seu vulto portentoso ao balançar do vento. Daqui uns cinquenta anos, quero voltar a vê-la novamente, apalpar seu caule e descansar à sua sombra, se ela ainda estiver viva.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Na cesta!


Otávio Nunes

Fazia 10 minutos que Sorvetinho tinha entrado na quadra. Era a última esperança do técnico para ganhar aquela final de basquete. No entanto, o outrora Rei da Cesta não conseguiu encaixar nenhuma bola. O jogo se encaminhava para o final e seu time perdia. Sorvetinho, um jogador de dois metros e cinco centímetros de altura, mais magro que modelo de passarela, tinha os ombros caídos. Com os braços soltos e pernas juntas, parecia realmente um picolé, daí seu apelido.

Se já não bastasse a má fase experimentada durante todo o campeonato, ele se sentiu mais irritado ainda com o comportamento antiesportivo de um torcedor atrás do garrafão que o vaiou desde que entrou em jogo. “Seu magricela burro, jogadorzinho cego, você é mais feio que bater na mãe, não acerta nenhuma bola na cesta, seu trouxa...”

Faltavam poucos segundos para acabar o jogo e sua equipe estava atrás no placar, que apontava 91 a 89. Depois de ouvir mais uma provocação do torcedor, Sorvetinho não se conteve. Pegou a bola na lateral da quadra e jogou com toda força contra a cabeça do homem, que por instantes tinha virado o rosto para outro lado. No entanto, provavelmente por causa de sua má fase em arremesso, a bola tomou outra direção e foi direto para dentro da cesta: três pontos. O jogo acabou e Sorvetinho virou herói com seus três pontos obtidos a mais de cinco metros.

Aclamado pela torcida e cercado pela imprensa, o jogador nem entendia direito o que tinha acontecido. Um repórter se aproximou dele e perguntou. “Sorvetinho, como você se sente sendo o herói na conquista do campeonato?” Ao que ele respondeu. “Sinto-me decepcionado. Perdi a chance de quebrar a cara daquele filho da mãe.” Ninguém entendeu o que Sorvetinho quis dizer e ele deixou por isso mesmo e se entregou totalmente à festa.

Na saída do clube, ele ouviu uma voz conhecida gritar ao longe. “Seu merdinha, você não consegue acertar nada, mesmo.”





















quinta-feira, 9 de abril de 2009

Vida de cão


Otávio Nunes

Izolino tinha acabado de receber pelo trabalho de quinze dias. Havia rebocado a parede e assentado piso e azulejo no banheiro do bar do Maranhão. O botequeiro, conhecido sovina do bairro, reclamou, reclamou, e acabou por pagar uma quantia menor que a combinada. Mesmo contrariado, Izolino aceitou e saiu.

A caminho de casa, parou em frente à padaria para levar um frango assado quentinho para sua família. Enquanto o funcionário da padaria retirava o frango, Izolino observou um cachorro que havia um bom tempo estava parado em frente à máquina de assar. O bicho admirava os frangos a rodar e a se queimar. Olhava tão intensamente que parecia estátua. Apenas a cauda e os pequenos olhos se movimentavam.

Izolino pegou alguns restos de carne da bandeja e jogou para o cão, mas este não se interessou. Permaneceu parado. Izolino arrancou uma coxa do seu frango, deu uma mordida e jogou o restante. Novamente, o vira-lata continuou impassível. “O que este bicho quer? “, pensou. Dirigindo-se ao caixa para pagar, ele deixou o frango na cadeirinha do balcão da padaria enquanto procurava a carteira no bolso. Neste instante, o cachorro abocanhou o frango e correu. Izolino tentou ir atrás. Inútil. E ainda teve de pagar.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Sono sagrado


Otávio Nunes

“Para mim, basta um dia.
Não mais que um dia.”
(Chico Buarque)

Cristônio e seus amigos se reuniram à tarde, após o almoço, enquanto tomavam banho de sol no pavilhão três. O grupo era formado por 14 pessoas. Mas na hora de eles se evadirem pelo túnel, antes da sirene anunciar o fechamento das celas, outras pessoas poderiam aparecer e engrossar o número de fugitivos. Zé Pança, que apesar do nome era mais magro que espaguete japonês, disse que não poderia impedir a presença de outros presos, embora todo o plano fosse feito para um contingente de no máximo vinte pessoas. “Se não, vira bagunça e não dará certo”, preveniu Pança.

Às seis e meia da noite, meia hora antes de as portas das celas serem trancadas, eles tiraram a lona que tapava a boca do túnel e iniciaram a fuga. Cristônio foi o quarto a entrar no buraco, carregando apenas uma pequena trouxa com roupa limpa para se trocar quando estivesse fora da penitenciária.

Deu tudo tão certo que ele mal acreditava que estava novamente pisando numa rua. Trocou de roupa rapidamente, ao lado de um muro, e foi para casa. No caminho comprou um brinquedo para o filho.

Dormiu num banco da rodoviária e pegou o ônibus durante a madrugada. Chegou em sua casa às nove e pouco da manhã do dia seguinte. Sua esposa, embora conhecesse o plano de fuga, não o esperava tão cedo. “Mas tinha de ser hoje”, murmurou Cristônio para a mulher. Abraçou o filho de três anos, nascido quando ele já estava na cadeia, e disse que depois do almoço iria lhe dar um presente. O menino ficou radiante de alegria.

Almoçaram arroz, feijão e picadinho de batata com acém. Um lauto banquete para a família, pois o dia era especial e Cristônio comeu mais que lima nova. Depois deu o carrinho para o menino e ambos começaram a brincar no chão do barraco, até que dormiram na terra batida.

Cristônio foi acordado meia hora depois por dois policiais. Não teve tempo de esboçar qualquer reação, já que suas mãos estavam algemadas. Um dos guardas ia abrir a boca para falar algo, porém o preso rogou: “Levem-me em silêncio. Não acordem o menino. Ele dorme feliz porque hoje é seu aniversário.”

quinta-feira, 19 de março de 2009

Inveja X gratidão


Otávio Nunes

Roberta chegou ao escritório, sentou-se à mesa e abriu a gaveta para pegar os papéis do trabalho. Sua cabeça, no entanto, estava nas dívidas, pois devia uma quantia razoável ao agiota e seu carro era a garantia de pagamento. Nem se lembrava mais como havia chegado àquela situação, só sabia que tinha de se safar.

No final do dia, pouco antes de ir embora, ela foi ao banheiro e quase trombou com Cleide, outra funcionária, que saía do local. Na pia do lavatório, Roberta encontrou um colar de diamantes. Pegou o objeto e percebeu que o fecho estava quebrado. Era de Cleide. Já tinha visto a jóia no pescoço da colega, uma única vez, porém, numa festa de confraternização de final de ano na empresa.

Não gostava de Cleide. Havia tempos que a odiava, sutilmente, e nem aceitava convite dela para saírem juntas na hora do almoço. Achava que Cleide tinha recebido a promoção que ela, Roberta, merecia, por ser mais antiga de empresa. Outro fato que nutria a inveja, era o marido de Cleide: bonito e bem-sucedido na profissão. E Roberta ainda ansiava pelo casamento. “Ela nem precisa do cargo que ocupa, seu marido já ganha muito bem”, raciocinou Roberta enquanto admirava o colar.

Furtiva, ela achou um modo de apaziguar as investidas do agiota, que toda semana ligava para ela. Através da janela do banheiro, viu Cleide sair pela portaria. Não teve dúvidas. Pegou o colar, enfiou no bolso da blusa e saiu. Assim que pegou a bolsa para ir embora, percebeu que havia esquecido de urinar, entretida pelo achado. Retornou ao banheiro.

De volta à mesa, enquanto pegava a bolsa, sentiu o peso de uma mão na blusa. Era Cleide que recuperava sua jóia, pois um pedaço do colar tinha ficado para fora do bolso. Estupefata e envergonhada. Roberta olhou para Cleide, que disse.
- Oh amiga! Muito obrigada por ter achado meu colar no banheiro e guardado no bolso para me devolver depois.
Pega de surpresa, Roberta não sabia o que dizer e recebeu um abraço efusivo de Cleide.
- Eu sabia que podia contar com você. Quando notei a falta do colar, lembrei-me que você tinha entrado no banheiro depois de mim. Se eu perder esta jóia, não sei o que dizer a meu marido. É um presente de dez anos de casamento, que ele comprou numa viagem ao exterior. Raramente uso este colar. Só peguei para levá-lo à joalheria para consertar o fecho. E quase o perdi, se não fosse você. Meu Deus, Roberta, você é maravilhosa. Amanhã eu pago um almoço num restaurante chique. Pode escolher qual. Você merece recompensa.
Beijou novamente a amiga e foi embora. Roberta continuou atônita, sem dizer palavra.

terça-feira, 17 de março de 2009

Tá estressado? Vá pescar!!


Otávio Nunes

Este artigo se refere a pesqueiros na Região Metropolitana de São Paulo (a Capital). Não sei como são em outras localidades e Estados do Brasil. Mas acredito que não sejam muito diferente.

Ao falar em pescador, não pode faltar história. Lembro-me de um causo que ouvi num pesqueiro em Jundiaí, ano passado. O homem ao meu lado me disse que certa feita foi pescar com um amigo na lagoa de Piracaia, na região da Mantiqueira. Num arremesso desajeitado, se desequilibrou e caiu na água. O outro, que nada viu, perguntou depois o que tinha acontecido. Para não passar vergonha, ele disse que fisgou um peixe tão grande que o derrubou na água e quase o levou ao fundo. “E o seu amigo acreditou?”, perguntei eu. “Pelo menos não duvidou”, respondeu o pescador a meu lado, sorrindo.

Em São Paulo, pescador só tem mesmo pesqueiro para dar banho na minhoca. Se for a um rio, só pega bota velha e garrafa PET. O número desses estabelecimentos cresce na Grande São Paulo e alguns até se transformam em enormes complexos de entretenimento com restaurante, pousada, playground, piscina e outras atrações.

Há duas modalidades de pescaria: pesque-pague e pesque-solte (a esportiva). Na primeira, a pessoa paga pelo quilo e na segunda devolve o peixe à água. Mas quem for a um pesgue-pague na esperança de comer peixe mais barato, esqueça. Pode ser mais caro. O quilo da tilápia, por exemplo, sai por volta de R$ 7. Espécies nobres, como pintado e dourado, chegam a custar mais de R$ 12 o quilo. E o primeiro deles costuma pesar mais de cinco quilos cada. Ao fazer as contas, é melhor comprar no mercado. Só que lá, você não terá a diversão de sentir o bicho puxar a linha e envergar a vara. Pesqueiro não é para encher barriga, mas para se divertir. É este o espírito.

Por isso, a cada dia cresce mais a pesca esportiva. Na Grande São Paulo, o pesque-solte custa de R$ 15 a R$ 30 reais a diária, geralmente de sete da matina às 18 horas, e o pescador pega e solta quantos quiser. Não é aconselhável praticar a esportiva com intenção de levar o peixe. Custa os olhos da cara. E tem lógica. O proprietário prefere o bicho nadando para satisfazer o público do que na panela do pescador. Por isso, todo bom pesqueiro reserva lagos diferentes para as duas modalidades. Obviamente, a lagoa da esportiva tem peixes maiores e menos tilápia.

Pesca-se de duas maneiras: anzol parado no fundo do lago, com chumbada, ou em linha suspensa e presa na bóia, com mais ou menos um metro abaixo da água. A distância pode ser regulada com a descida ou subida da bóia. O primeiro caso, o mais comum, é para peixes de fundo, como pacu, pintado, catfish, pirarara, carpa. Na bóia, pega-se os de superfície, como matrinxã, dourado, tilápia, piau e também bagre e carpa.

Para espécies menores, tilápia, piau e catfish, que oscilam de 500 gramas a 3 quilos, o ideal é usar vara de mão. Pacu, matrinxã, dourado, pintado, carpa-cabeçuda e pirarara somente no molinete ou carretilha. São peixes difíceis de tirar da água, por bravura ou tamanho. Pacu, matrinxã, dourado, pintado e pirarara costumam dar espetáculo e inflar o pescador de orgulho.

Peixes comuns em pesqueiros

- Tilápia: Presença obrigatória. Mas não é brasileira. Começou a povoar nossas águas no século passado, vinda da África. É uma dádiva dos deuses do Nilo: peixe sem frescura, permite cultura comercial, cruzamento, come de tudo, vive em água quente e pouco oxigenada, fácil de pegar, barato (exceto o filé da variedade Saint Peters), abundante e de carne deliciosa. Iscas: minhoca, massinha e salsicha.

- Carpa: Também estrangeira. Há três tipos nos pesqueiros: a húngara (ou espelhada), a capim e a cabeçuda. Espécie dócil, não oferece muita resistência, exceto a cabeçuda, pelo peso, pois ultrapassa 10 quilos. Sua carne não é muito apreciada, embora seja vendida normalmente. Iscas: as mesmas da tilápia.

- Catfish: Embora norte-americano, é o bagre mais famoso do pesqueiro e fácil de pegar. Enquanto uma crendice popular diz que sua carne tem gosto de terra, outros garantem ser bobagem. Como todo representante da família dos bagres, é carnudo, pouco espinho. Ideal para assar ou fazer moqueca. Iscas: massinha, salsicha, fígado de boi, filé de tilápia, bacon.

- Pintado ou cachara: No mercado, recebem sempre o nome de pintado. O primeiro, claro, tem pintas no corpo. Já o cachara é listrado, como tigre. Mesmo assim, é difícil diferenciar. Ultrapassam 10 quilos, numa boa. Um chef de cozinha disse certa vez que o pintado é o salmão brasileiro. Com razão. Esse bagrão cabeçudo tem carne nobre.

- Pacu e seus primos Tambaqui e Tambacu: Ótimos para se pescar. Fortes e briguentos, puxam a linha para todo lado da lagoa e dão trabalho para tirar da água. Pesam de 5 a 15 quilos. São parentes da piranha, mas sem a má fama. Carne razoável e vendida no comércio. Iscas: massinha, salsicha, coração de galinha, pedaço de fígado, goiaba.

- Matrinxã: Bastante esportiva e briguenta. Fisgada, dá saltos na água e trabalho para sair. Pesa de 3 a 10 quilos e sua carne, espinhosa ao extremo, não é muito apreciada. Iscas: massinha, salsicha, miolo de pão, goiaba.

- Dourado: Belo e voraz, é o rei da água doce brasileira. Dá saltos como a matrinxã. Sua carne é razoável e encontrável no mercado. Isca: a melhor é o peixe vivo, uma pequena tilápia, por exemplo, mas com muita fome também vem na salsicha.

- Pirarara: Nova nos pesqueiros e alguns nem a tem. Concorre em beleza com o dourado, com sua cor cinza/esbranquiçada, listras laterais amarelas e nadadeiras vermelhas. Um charme. Ao ser retirado da água, este bagrão brasileiro emite um som (buuuf!). Há relatos de que a pirarara ataca seres humanos, principalmente crianças, na natureza. Mas certamente não é para comer, talvez para demarcar território. Não tenho informações sobre a carne. Iscas: filezinhos de peixe, salsicha, fígado e até massinha.

Há vários sites sobre o assunto na internet, com endereços de pesqueiros. Cito dois: www.clickpesca.com.br e www.pescar.com.br.